segunda-feira, 1 de junho de 2009

A verdadeira Fé

A passagem do Novo Testamento que me levou a pensar no que escrevi nesta reflexão foi aquela em que o Mestre curou o criado de um centurião romano.
O texto é fantástico como tantos outros apresentados nos evangelhos!
Mas dois versículos que sempre passam despercebidos são centrais (e intrigantes) em todo o contexto daquele momento vivido pelo Senhor Jesus.

Refiro-me aos versículos 11 e 12, nos quais Ele diz: “... muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes”.

O Mestre não diz que muitos virão e se converterão, Ele apenas diz que muitos virão e tomarão lugares.
Mais simples ainda fica essa leitura, quando se observa com cuidado a importância do centurião nessa história. Ele é a chave de tudo e a sua fé é o ponto de partida.
É importante lembrar que o centurião não era nem judeu nem discípulo de Jesus, logo não era membro do Judaísmo, muito menos do Cristianismo que ainda nem existia. Possivelmente, aquele centurião, como todo bom e autêntico soldado romano, era adorador de vários deuses e provavelmente do imperador romano. Numa linguagem cristã, ele era pagão, numa linguagem mais coerente, ele era um religioso politeísta.
Há ainda a pequena hipótese de que nem religioso politeísta ele era, mas apenas um homem que de judeu e de seguidor de Jesus não tinha nada.
Uma segunda observação: ele não se torna cristão após a cura de seu criado. O texto nem relata isso, pois se ele tivesse se convertido, certamente estaria relatado. Mas não, ele permanece na condição religiosa em que se encontrava quando foi procurar ao Mestre.

Nisto creio e afirmo com todas as letras: Cristo é o Caminho, pois é capaz de salvar e ver fé genuína em um centurião romano, adorador de deuses estranhos, pagão e adorador do imperador, mas a religião é o desvio, pois consegue maquiar-se com as belezas sublimes do Evangelho, mas vive semelhante aos fariseus dos tempos de Jesus, que eram zelosos e ortodoxos no que se refere à obediência ao texto, mas cegos na prática, sobretudo, por julgarem com facilidade, seres humanos que eram tão imperfeitos quanto eles. Em vez de tornar a caminhada cristã uma caminhada de liberdade e descanso, tornão-a ainda mais penosa, turbulenta, repleta de regras e cargas a serem carregadas. Em vez de manter as pessoas que acreditam estarem servindo ao Jesus apresentado nos evangelhos, conseguem desviá-las a qualquer outro caminho que não é o Caminho da Graça de Deus em Cristo.

Cristo era judeu. Porém não somos, nem você, nem eu! Pense nisso...

Cristo olhou além daquilo tudo que não Lhe agradava, olhou assim por causa da fé. Se agradou da fé do pagão e ainda o fez um elogio. Nada simples demais faria o Mestre fazer isso.

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