É difícil falar do creio, posto que creio no sobrenatural, no inacessível, no transcendente… por isso, talvez, seja mais fácil entender bem o que não creio… disso, com maior propriedade, estou certo…
Não creio em quem se considera superior… quem o é, de fato, não se considera, pois o superior genuíno entende sua missão em servir, em nivelar as desigualdades da vida, do ser… bem mais, não creio no que tem fé em si mesmo… pra mim, quem tem fé autêntica, duvida, especialmente de si mesmo, já que a fé se concretiza na constatação do que não se pode ver, ter.
Não creio em quem tem uma explicação pra tudo… acho que os que assim agem, o fazem por engano, na verdade, procuram em suas explicações, por certezas e conclusões que não têm… deflagram em suas conclusões mais certas, sua insegurança, pois quem está seguro mesmo, nem sempre explica, já que a segurança é sempre parte do abstrato de cada alma, de cada vida…
Não creio no amor excludente… amor é includente por natureza… amor é o sentimento da acolhida, da integração, da não prevenção… amar é vencer obstáculos e não construí-los… amar é procurar incansavelmente formas de proximidade, vias de facilitação, de comunhão.
Não creio na modéstia, especialmente na falsa… quem é modesto de verdade, aceita-se totalmente, critica-se, ouve, absorve… cala-se. Modéstia não é simplicidade. Modéstia tem a ver com realidade, com auto-aceitação. Quem é modesto vê seus acertos e erros da mesma forma, entendendo-se gente, igual aos outros, passível de louvores e críticas.
Não creio no que não aceita. Aceitar é um ato de reconhecer-se carente. De alguma forma, todos, sem exceção somos. Quem não aceita – críticas, opiniões, favores, observações – não é digno de confiança, porque, aceitar, tem relação com aceitar-se, confrontar-se e, acima de tudo, requerer melhora de si mesmo.
Não creio em quem dissimula. Pra mim a dissimulação é o grau mais alto da traição, pois quem assim age, trai a si mesmo, negando-se, disfarçando-se… e não há nada mais nobre que a autenticidade, a transparência e a lealdade. Trair por si só é um ato lamentável. Trair a si mesmo é entender-se incerto, inconstante e não confiável.
Não creio na falta de reconhecimento. Quem não tem a quem reconhecer, não tem história, nem conhecimento, nem valor. Não reconhecer quem veio antes, seus acertos e seus erros, é não compreender o processo natural da existência, as dificuldades, as oportunidades. E mais, é desconsiderar-se como alvo da vida, sujeito às mesmas humanidades e vicissitudes de quem passou.
Não creio no exclusivismo. Quem se entende assim, tem parte com o diabo. O maior sinal de que Deus está em alguém ou em algum lugar é a possibilidade do outro. Sem união, sem igualdade, sem comunidade, não há Deus, porque Ele não se presta somente a um, Ele é comunitário em sua essência – trina – portanto, incapaz de desprezar, de rejeitar e menosprezar – princípios tão básicos do exclusivismo.
Não creio na omissão. Quem pode – ajudar, salvar, reunir – e não o faz, não é digno de ser reconhecido irmão. Temos, cada um de nós, em algum momento, o agir em nossa mão, e isto, quase sempre, é obrigação e não opção.
Não creio na fé barata, não creio na paz forjada, não creio na benção alienada, na barganha.
Não creio… talvez até para crer mais, para questionar mais meus amores, minhas convicções, meus desejos, minhas apreciações… pois a crença, pra mim, tem um algo de descrença no que sou, pois só assim, ciente de minha própria fragilidade, posso entregar-me, confiar-me plenamente, Àquele que é digno da minha crença total, da minha fé total, da minha certeza total, o Deus que creio.
Sábias palavras... Cara, tu escreveu em um simples texto, traumas que pessoas levam a vida vivendo e não descobrem. Quantos não se encaixam em suas crenças ... e quantos vivem vidas angustiadas sem perspectivas de mudança, visto que nao analisam as falhas como vove fez ... Obrigado por abrir meus olhos também ...
ResponderExcluirseu amigo,
Alan
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